Um ano antes da Copa, futebol feminino ganha espaço e muda calendário no Brasil
Expansão das competições, aumento de investimentos e paralisação do futebol durante o Mundial de 2027 marcam nova fase da modalidade; Salvador será uma das oito cidades-sede
Por: Adriane Monteiro

O futebol feminino brasileiro atravessa um período de mudanças estruturais às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada pela primeira vez na América do Sul. Com mais competições, aumento no número de clubes e partidas e maiores investimentos, a modalidade passou a ocupar um espaço mais amplo no calendário nacional. Para o próximo ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também determinou uma pausa nas competições durante a realização do Mundial, entre 24 de junho e 25 de julho.
A decisão de interromper as competições brasileiras durante a Copa evidencia a dimensão que o torneio deverá alcançar no país. Serão 32 seleções disputando 64 partidas em oito cidades-sede: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
A preparação para o Mundial, no entanto, não se limita à infraestrutura das cidades que receberão as partidas. Dentro de campo, o futebol feminino brasileiro também passa por uma ampliação de sua estrutura competitiva. Dados apresentados pela própria CBF mostram que o número de competições femininas nacionais passou de seis em 2021 para nove em 2025. No mesmo período, a quantidade de clubes envolvidos subiu de 58 para 74, enquanto o número de partidas passou de 398 para 563.
Em 2026, essa expansão ganhou novos contornos. O Campeonato Brasileiro Feminino A1 passou a contar com 18 equipes, duas a mais do que nas temporadas anteriores, e chegou a 167 partidas previstas. Além disso, a cota fixa de participação na primeira fase foi elevada para R$ 720 mil por clube, mais que o dobro dos R$ 300 mil pagos anteriormente.
A premiação também foi ampliada. O campeão do Brasileirão Feminino A1 recebe R$ 2 milhões, enquanto o vice-campeão fica com R$ 1 milhão. A medida faz parte de um conjunto de ações que busca fortalecer financeiramente as equipes e ampliar a estrutura do futebol feminino nacional.
Outra competição que passou por mudanças foi a Copa do Brasil Feminina. A edição de 2026 começou com 66 clubes e tem previsão de encerramento em novembro. A competição passou a reunir equipes de diferentes divisões nacionais e foi organizada em oito fases. A partir das quartas de final, os confrontos passaram a ser disputados em partidas de ida e volta.
O calendário, entretanto, ainda passa por ajustes. Em julho, a CBF alterou novamente as datas -base da quinta fase da Copa do Brasil Feminina. Inicialmente previstas para agosto, as partidas de ida e volta foram transferidas para 15 e 22 de outubro. A mudança é mais um exemplo de como a expansão do número de competições exige uma organização cada vez mais complexa da temporada.
Esse processo de profissionalização também alcança a relação entre clubes e atletas. A partir de 2027, os clubes participantes da primeira divisão do futebol feminino brasileiro terão de estabelecer vínculo profissional com suas jogadoras, acompanhando a expansão da estrutura das competições nacionais.
O Bahia representa as mudanças em Salvador

Na Bahia, o Esporte Clube Bahia está inserido diretamente nesse processo. A equipe feminina disputa, em 2026, o Campeonato Brasileiro A1 e a Copa do Brasil Feminina, duas das principais competições do calendário nacional. No Brasileirão, o Bahia chegou à reta final da primeira fase entre as equipes que brigam pelas posições de classificação. Até o atual momento, a equipe soma 27 pontos após 15 rodadas, com oito triunfos, três empates e quatro derrotas, de acordo com a tabela oficial da CBF. Na Copa do Brasil, o clube avançou às quartas de final e passou a integrar a fase da competição em que os confrontos são disputados em dois jogos. O Bahia terá o São Paulo como adversário nesta etapa.
A presença do clube baiano em diferentes competições nacionais ajuda a exemplificar, em escala local, a expansão do calendário feminino brasileiro. Mais torneios significam também uma temporada mais extensa e uma necessidade maior de planejamento por parte das equipes. O cenário ganha ainda mais relevância para Salvador. A cidade será uma das oito sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027, e as partidas serão realizadas na Arena Fonte Nova. Com a realização do Mundial no país, o futebol feminino brasileiro chega ainda mais forte em 2027, depois de uma sequência de mudanças que ultrapassa a organização de uma única competição.
O aumento do número de clubes e partidas, a elevação das cotas e premiações e a ampliação do calendário indicam uma tentativa de consolidar uma estrutura nacional mais ampla para a modalidade. A pausa das competições durante a Copa também reforça esse movimento. Em vez de disputar espaço com o Mundial, o futebol brasileiro terá de abrir espaço para ele. Um ano antes de a bola rolar na primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul, o calendário nacional já começa a refletir a importância que o torneio terá para o futebol feminino brasileiro.



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