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Mapa político da América do Sul e a nova onda conservadora

Thiago Virgilio
11 de ago.
3 min de leitura

A posse do presidente Abelardo De La Espriella na Colômbia consolida um ciclo de transição política no continente, impulsionado por demandas por ordem, reformas econômicas e crise de representatividade.


A América do Sul atravessa uma reconfiguração profunda em seu mapa político continental, marcado pela consolidação de uma nova onda de governos conservadores e liberais em diversos países latino americanos. A recente eleição e posse do advogado Abelardo De La Espriella na Colômbia representa o capítulo mais recente dessa transição, inserindo o país em uma lista que já conta com nações como Argentina, Bolívia, Costa Rica, Chile, Equador, Panamá e Peru.


A vitória de De La Espriella sobre o candidato de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro, simboliza uma guinada significativa em uma região que, anos antes, havia experimentado uma hegemonia de projetos progressistas. Esse movimento de pêndulo político suscita uma reflexão central sobre as razões estruturais que fundamentam o avanço e o fortalecimento das forças de direita no ecossistema latino-americano.


Abelardo de la Espriella durante cerimônia de posse em Cali, na Colômbia

Imagem: Luis Acosta / AFP


Um dos vetores mais determinantes para o crescimento de candidaturas de direita na América Latina em geral é a crise crônica de segurança pública e a penetração crescente do crime organizado na vida cotidiana dos cidadãos. Em grande parte do continente, a percepção de impunidade e a escalada de crimes violentos transformaram a demanda por ordem e autoridade na principal prioridade do eleitorado. Propostas focadas no endurecimento de penas, na expansão do sistema prisional e no combate ostensivo a grupos armados ganharam enorme atração popular em relação aos discursos focados em reformas estruturais ou de mediação social.


Cenário colombiano ilustra com precisão essa dinâmica e os desafios imediatos enfrentados pelas novas gestões


Prometendo uma política de "mão firme" contra o tráfico de drogas, o combate rigoroso ao crime e a construção de mega prisões, De La Espriella tomou posse sob um forte esquema de segurança em Cali, protegido por mais de 11 mil militares. A gravidade da situação nacional foi evidenciada logo no dia seguinte à cerimônia, quando o país foi alvo de dois atentados a bomba. Dissidentes das Farc liderados por Ivan Morodisco, que rejeitaram o acordo de paz de 2016, atacaram um pedágio próximo a Cali com um carro-bomba e realizaram um ataque com drone com explosivos contra uma delegacia em San Roque, resultando na morte de um delegado de polícia. A reação imediata e rígida do novo governante, prometendo punição severa, reafirma a centralidade do discurso de segurança pública como pilar do contrato social firmado por esses líderes com seus eleitores.


Crise econômica e o esgotamento dos governos de situação


Além da pauta da segurança, a busca por novos modelos de governança econômica é outro pilar fundamental desse movimento geopolítico. Os anos pós-pandemia foram marcados por inflação persistente, desaceleração do crescimento, aumento do custo de vida e diminuição da capacidade fiscal dos Estados latino-americanos. Os governos de esquerda que gerenciam a região nesse período enfrentaram um desgaste acentuado diante da dificuldade de entregar serviços públicos de qualidade e conter o empobrecimento de parcelas expressivas da população, o que gerou um ambiente propício para a defesa da austeridade, do livre mercado e da redução da máquina estatal.


Em última análise, a ascensão da direita na América Latina reflete um comportamento altamente pragmático do eleitorado, que tem utilizado o voto como mecanismo direto de punição às gestões vigentes que falham em garantir estabilidade e proteção. A alternância de poder consolidou-se como a norma regional diante do desencanto com a política tradicional. Resta saber se os novos governantes conservadores conseguiram entregar os resultados econômicos e de pacificação prometidos ou se enfrentarão a mesma volatilidade eleitoral ao lidarem com democracias polarizadas, restrições orçamentárias e complexas tensões sociais.


Por Thiago Virgilio.

 
 
 

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