Barreiras no campo: os impactos das taxas do governo Trump sobre o agronegócio do oeste baiano

Foto: Reprodução/Divulgação
As recentes medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump colocaram em alerta os empresários do agronegócio do Oeste da Bahia. A região, reconhecida como um dos principais polos produtores de soja, algodão e milho do país, passa a enfrentar novos desafios na competitividade e na estabilidade das exportações globais.
A nova tarifa de 12,5% anunciada pelos governo Trump sobre produtos importados soma-se à alíquota de 25% já estabelecida anteriormente pelo presidente norte-americano. Apesar disso, os efeitos sobre o agronegócio baiano tendem a ser limitados, atingindo diretamente apenas 1,8% do total exportado pelo setor, de acordo com a estimativa do estudo técnico elaborado pela assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar.
Como apenas 29,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos serão efetivamente tributadas, a parcela do agronegócio baiano exposta às novas tarifas corresponde a aproximadamente 1,8% das exportações globais do setor.
Em relação ao cenário nacional, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Laudemir Müller, em entrevista ao Jornal Nacional, classificou a medida como um absurdo. A agência funciona como uma ponte entre as empresas brasileiras e o mercado global. Müller disse que para incentivar a busca de compradores alternativos aos Estados Unidos, a Apex vai investir R$130 milhões:
“Nós vamos trabalhar e vamos anunciar um plano de diversificação de mercados. Nós reservamos aqui já R$130 milhões, que nós vamos trabalhar junto com as nossas 57 entidades do setor privado, com as quais nós temos parceria. Vamos ter uma estratégia de diversificação específica, que a gente vai anunciar já nos primeiros dias de agosto, que a gente já está negociando com os nossos parceiros”.
Ao geral, para analistas de comércio exteriores especializadas no setor agropecuário, a saída sustentável está na aceleração do redirecionamento das cargas para mercados alternativos. A ampliação dos negócios com parceiros da China, do Oriente Médio e do Leste Europeu surge como a principal estratégia para absorver o volume de soja, algodão e milho, assegurando a liquidez do agronegócio baiano.
Por Thiago Virgilio.



Comentários